
Jornal de Angola (João Pedro)
É possível que duas pessoas vivam juntas, felizes, por um tempo longo? Para muitos, viver, juntos e felizes, só é possível em contos de fada, em filmes românticos. Mas existem casais que até dão inveja. São mesmo felizes como nos contos de fada. O Dossier, esta rubrica dominical do Jornal de Angola, abordou Carlos Jorge, um "jovem" de 65 anos,ligado, há décadas, a uma das congregações das Testemunhas de Jeová, onde desempenha, também, a difícil empreitada de aconselhar casais problemáticos. Diz que já perdeu a conta de quantos conselhos já deu a casais problemáticos. Sendo ele também casado, há mais de 35 anos, Carlos Jorge contou-nos o que o ajudou a ter uma relação duradoira com sua companheira de luta do dia-a-dia.
Contou-nos que construir um casamento e ainda por cima duradoiro não é nada fácil, mas é possível, porque muitos têm casamentos felizes há 50, 60 ou mais anos. Eles fazem um esforço contínuo e altruísta para ganhar a aprovação da pessoa com quem se casaram. "Isso requer empenho e dedicação".
Ele defende que, assim como um empreiteiro de confiança nunca começaria uma construção sem, primeiro, consultar a planta da obra, da mesma maneira só se pode ser bem sucedido na construção de um casamento feliz caso se dê muita atenção à planta de Deus para esse projecto. Mostrou que, de entre os segredos para se ter uma relação durável, algo que tem transmitido a muitos casais, é a lealdade, uma qualidade muito mais elogiada e menos praticada.
"O marido e a esposa que se mantêm fiéis aos votos maritais, permanecendo juntos e esforçando-se pelo bem estar um do outro, já deram um grande passo em direcção à felicidade e segurança", disse o idoso. Neste campo da vida, segundo garante o interlocutor, a pessoa leal se apega a alguém e mantém um relacionamento duradoiro mesmo havendo problemas.
"Por exemplo, geralmente, é melhor dizer "nosso" em vez de "meu", e, ao fazer planos e tomar decisões, deve-se levar em consideração os sentimentos e opiniões um do outro", frisou. Questionado sobre se vale a pena ser fiel no casamento, Carlos Jorge disse que sim, uma vez que isso é que torna o casamento mais estável e duradoiro.
Carlos Jorge disse que já passou por várias dificuldades durante os seus 35 anos de casamento, e aconselhou a não se importar quando alguém esteja irritado com o seu cônjuge. "Nunca pare de falar com ele, nunca pare de amar", aconselhou. Uma das coisas que falta em muitos casais, quando surgem algumas divergências, que contribuem para aumentar a tensão, é a comunicação.
Para o entrevistado, a comunicação exige também conversação, diálogo, sendo que não se deve apenas falar, mas, também, escutar. Embora algumas mulheres tenham mais facilidade do que os homens em expressar os seus sentimentos, isto não justifica que o marido seja um parceiro silencioso.
Segundo o ancião, os maridos cristãos devem ter em mente que a falta de comunicação é um dos principais problemas de muitos casamentos, de modo que devem esforçar-se, arduamente, para manter abertas as linhas de comunicação. Quando surgem problemas, alguns dos quais não reconhecidos pelos maridos, por casmurrice, para este homem experiente, as mulheres ligadas às Testemunhas de Jeová buscam ajuda à congregação, onde contactam os anciãos que, talvez, consigam facilitar a comunicação entre o marido e a esposa.
Contou o caso de um ancião que foi procurado por uma mulher que lhe falou a respeito de anos de agressão verbal por parte do marido, um crente. O ancião agendou uma reunião com os dois. Pediu que cada um ouvisse o outro, sem interromper. Na vez da esposa, ela disse que não suportava mais a ira explosiva do marido. Ela explicou que, por anos, todos os dias, ela sentia um nó no estômago, nunca sabendo se ele estaria irado, ou não, ao cruzar a porta no fim do dia. Quando explodia, ele dizia coisas degradantes a respeito da família e dos amigos da esposa, e a respeito dela mesma.
O ancião pediu que a esposa explicasse os efeitos das palavras do marido sobre ela. "Eu me sentia como se fosse uma pessoa má, que ninguém poderia amar", respondeu. "Às vezes, eu perguntava à minha mãe: mãe, eu sou uma pessoa com quem é difícil conviver? É impossível alguém me amar?" Enquanto a esposa explicava como as palavras dele a faziam sentir, o marido começou a chorar.
Pela primeira vez, ele viu a profundidade dos ferimentos que as suas palavras causavam à esposa. "Hoje, este casal é feliz e continuam juntos há já 15 anos".
Mar 18, 21:17
Fonte:Jornal de Angola (João Pedro)