
Segurança: Só na área da PSP houve 123 roubos a farmácias, gasolineiras, ourivesarias e distribuidores de tabaco
10 assaltos violentos por mês
Foto: Natália Ferraz

Ladrões actuam em grupo e sozinhos
No ano passado houve uma média por mês de mais de dez assaltos violentos a farmácias, ourivesarias, gasolineiras e distribuidores de tabaco na área da PSP. Até final de Novembro, só nas grandes cidades, registou-se um total de 123 assaltos – na maioria dos casos os assaltantes actuaram em grupo e não hesitaram em ameaçar proprietários e funcionários com diversos tipos de armas.
Os números constam de um documento a que o CM teve acesso e, apesar de estes crimes serem da competência exclusiva da PJ, demonstram que a PSP está atenta ao crime violento e à criminalidade grupal. Fora do relatório ficaram os assaltos registados no mês de Dezembro – período em que, segundo a PSP, se registaram 33 assaltos armados a estabelecimentos comerciais vários.
De acordo com o documento, até finais de Novembro do ano passado já havia registo de tantos assaltos a ourivesarias como nos 12 meses do ano anterior – que terminou com 47 roubos. Nos ataques a estações de abastecimento de combustíveis, só na área da PSP, registou-se um decréscimo (de 74 casos em 2005 para 47). Já nos roubos violentos a farmácias, a PSP recebeu 25 denúncias até Novembro de 2006, enquanto no ano anterior tinha registado 28 queixas.
A maior parte dos crimes (54) ocorreu na área metropolitana de Lisboa. Segue-se o distrito do Porto (com 20 casos) e o de Setúbal, com 13. No entanto, o distrito de Aveiro foi o segundo que mais registou ataques a gasolineiras (9).
Em 50,4% dos assaltos os ladrões recorreram a armas de fogo para intimidar funcionários e proprietários. Mas, em onze assaltos, não foram usadas armas: os ladrões não hesitaram em agredir quem está atrás do balcão.
O número de autores nos assaltos diverge conforme o alvo a atacar. De acordo com a PSP, a maior parte dos assaltos a gasolineiras (14 casos) foi feita por apenas uma pessoa – cujo transporte para a fuga diversifica em cada caso, há quem actue de mota, de carro ou a pé. Já nos ataques a ourivesarias é comum os assaltantes reunirem-se em grupos de três elementos, como aconteceu em 14 dos assaltos, e fugirem num carro, normalmente furtado.
Quanto às armas utilizadas, a PSP constata que a maior parte dos assaltos foi feita com armas de fogo, embora algumas pudessem ser falsas, diz uma fonte policial ao CM. Também é comum os assaltantes atacarem de faca em punho, como aconteceu em 19 casos, ou com recurso à própria força (onze casos).
COMO REAGEM AS VÍTIMAS
Na maior parte dos crimes os funcionários ou proprietários dos estabelecimentos não oferecem resistência. Mas há excepções: há vítimas que reagem para proteger o que é seu e acabam por ser violentamente agredidas. Os ladrões não têm medo. E há histórias de vítimas que, pela resistência, se tornaram heróis e facilitaram o trabalho policial.
Foi o caso de Fernando Ramalheiro quando, na manhã do dia 29 de Julho, estava ao balcão da sua ourivesaria, em Odivelas. Uma semana antes já tinha sido assaltado por um gang que provocou prejuízos de milhares de euros.
Naquele dia, Fernando Ramalheiro não queria perder o pouco que lhe sobrou. Quando viu os dois assaltantes entrarem na loja, armados, nem lhes deu hipóteses. Pegou numa barra de ferro e arremessou-a contra eles, à frente de uma cliente. Os assaltantes não se intimidaram e ergueram ainda mais as armas, exigindo ouro e dinheiro. O comerciante saiu de trás do balcão e “saltou-lhes em cima”. Um fugiu, o outro foi agarrado pelo ourives e por populares furiosos. Foi entregue à PSP. Estava em liberdade condicional.
ASSALTOS A FARMÁCIAS, GASOLINEIRAS, OURIVESARIAS E DISTRIBUIDORES DE TABACO (roubos participados à PSP desde Janeiro a final de Novembro)
Viana do Castelo: 1
Braga: 1
Porto: 20
Bragança: 1
Aveiro: 4
Viseu: 1
Guarda: 3
Coimbra: 2
Leiria: 10
Santarém: 5
Lisboa: 54
Setúbal: 13
Faro: 3
Madeira: 6
TOTAL: 123
ARMAS UTILIZADAS
Farmácias: 17 armas de fogo / 5 armas brancas / 1 agressão / 1 seringa / 2 casos não especificados
Ourivesarias: 18 armas de fogo / 5 armas brancas / 5 agressões / 19 casos não especificados
Gasolineiras: 24 armas de fogo / 9 armas brancas / 4 agressões / 3 seringa / 7 casos não especificados
Transporte de tabaco: 3 armas de fogo TOTAL: 62 armas de fogo / 19 armas brancas / 11 agressões / 4 seringas / 28 casos não especificados
ATAQUES A DISTRIBUIDORES DE TABACO
Na área da PSP só foram denunciados quatro casos de assaltos com sequestro a distribuidores de tabaco. Segundo uma fonte da PSP, este crime é mais comum nas zonas rurais – porque os motoristas são abordados em locais isolados, normalmente quando circulam. Foi como aconteceu na zona de Santarém, em que a GNR já registou mais de 12 crimes idênticos, sempre com o objectivo de roubar tabaco.
Ainda assim, no primeiro semestre de 2006, em 15 assaltos a estabelecimentos na área da PSP, foi roubado tabaco. Curiosamente, três dos assaltos a transportadores de tabaco registados pela PSP ocorreram à quarta-feira e o outro numa quinta-feira.
LADRÕES ESCOLHEM HORA DO FECHO PARA ATACAR
Os assaltantes escolhem a hora do fecho dos estabelecimentos para atacar: os clientes são poucos, as caixas registadoras estão cheias e os funcionários ansiosos por sair. É por isso que, segundo a PSP, 37 por cento dos assaltos na área da PSP ocorreram entre as 19h00 e a 01h00. Por outro lado, o tipo de estabelecimento a atacar também condiciona os ladrões: 31 assaltos a gasolineiras ocorreram entre as 19h00 e a 01h00, mas a maior parte dos ataques a ourivesarias foi registada no período da noite, entre a 01h00 e as 07h00 (18 casos) e, já de manhã, entre as 07h00 e as 13h00 (15 casos). Já os assaltos a farmácias ocorreram sempre no período de funcionamento, à excepção de um caso – registado entre a 01h00 e as 07h00.
Ainda segundo a PSP, a maior parte dos assaltos a farmácias e ourivesarias aconteceu à sexta-feira, enquanto os ataques a gasolineiras foram repartidos durante os dias da semana.
HORAS DOS CRIMES
Farmácias: 9 (19h00-01h00) / 1 (01h00-07h00) / 7 (07h00-13h00) / 8 (13h00-19h00) / Total: 25
Ourivesarias: 5 (19h00-01h00) / 18 (01h00-07h00) / 15 (07h00-13h00) / 9 (13h00-19h00) / Total: 47
Gasolineiras: 31 (19h00-01h00) / 3 (01h00-07h00) / 6 (07h00-13h00) / 7 (13h00-19h00) / Total: 47
Transporte de tabaco: 1 (19h00-01h00) / 2 (01h00-07h00) / 1 (07h00-13h00) / 0 (13h00-19h00) / Total: 4
TOTAL: 46 (19h00-01h00) / 24 (01h00-07h00) / 29 (07h00-13h00) / 24 (13h00-19h00) / Total: 123
CASOS
PAÇOS DE FERREIRA
Quatro encapuzados, munidos de armas, assaltaram, a 18 de Abril, a Farmácia Modelos.
GONDOMAR
Dois homens armados assaltaram a Farmácia Fernandes Lopes, em Jovim, no dia 12 de Abril.
CARCAVELOS
A ourivesaria Joibel foi assaltada a 23 de Outubro por três homens. A proprietária foi agredida.
ALBUFEIRA
Três imigrantes, armados, assaltaram uma ourivesaria a 19 de Setembro. Ameaçaram funcionário.
SILVES
Dois homens assaltaram um posto de abastecimento de combustíveis no dia 20 de Agosto.
SACAVÉM
No dia 26 de Agosto o funcionário de serviço numas bombas da Galp baleou um assaltante.
LEIRIA
Três homens sequestraram um distribuidor de tabaco e ameaçaram matá-lo a 20 de Novembro.
Sónia Simões